terça-feira, 24 de novembro de 2009

Ninguém disse que seria fácil...

...e a verdade é que não imaginei que seria tão difícil pra você. Nem que mudar seria tão complicado pra mim. De repente eu me vejo pressionada por todos os lados, entre obrigações, família, trabalho e você: o amor, o meu amor.

Inegável é a falta que fazemos um ao outro, mas às vezes me sinto tão forte diante disso, que cobro o mesmo de você. No fundo, sou uma garotinha fingindo ser gente grande, usando maquiagem e calçando os sapatos da mãe. E você sabe que há dias em que sou frágil como papel na água. Choro descontroladamente e peço a sua mão pra que eu não me sinta só. Você conhece meus olhos de medo quando fica tudo escuro. Mas, no mesmo passo em que sou vulnerável, fico forte, dura, realista e - me desculpe por isso - chego a ser fria.

Quem me conhece sabe o quanto sempre fui carente, e agora, depois de toda a insegurança que sempre tive, confio cegamente que alguém me ama e faria qualquer coisa por mim. Não tenho porque temer a distância. É por isso que não fico mais carente, nem insegura, porque você me leva sempre no colo e mostra o tempo todo que sou amada. Não é fácil viver na espera, não é fácil ficar longe de você. O que me fortalece é o que você me dá, o que eu nunca tive. Dói saber que, mesmo dando tudo o que posso, não consigo fazer o mesmo por você. O sentimento mais lindo que pode haver entre duas pessoas é o mesmo que tem feito você sofrer. Além de injusto, é difícil aceitar que o amor é assim, ao menos às vezes - todas as vezes em que temos que nos despedir.

*créditos para a imagem: Le Love

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Odeio segundas-feiras pt 97

É visível que Murphy, oi?, ou que o meu inferno astral tenha gostado tanto do meu plano que resolveu ficar um pouco mais. E como as segundas-feiras já têm uma forte propensão a serem dias legitimamente murphyanos, a minha começou errada já nas primeiras horas.

Tudo começou porque, mesmo caindo de sono, eu não consegui pregar os olhos enquanto não acabou o Domingo Maior. Eu poderia ter desligado a TV, mas queria mesmo ouvir o final do filme pra saber se a música do Moby está na trilha do primeiro filme da trilogia Bourne.

Finalmente, Morfeu me carregava em seus braços quando acordei, suada e agitada, no meio da madrugada. Mesmo depois de ter-me livrado de um peso de trabalho que se arrastava há algum tempo, o maldito vem me perturbar em sonhos. Ou seria um pesadelo? Acabei custando a dormir novamente, tive meu sono interrompido algumas vezes e, por fim, perdi a hora. E o ônibus.

O taxista de sempre disse que hoje o carro dele estava com vazamento, mas que mandaria outro. Que demorou quinze minutos num percurso que, afirmo seguramente, demoraria cinco. Ele tinha então treze minutos pra me levar até o trabalho, e demorou dezessete. Isso porque ele pulou vários quebra-molas e quase atropelou uma velhinha.

Cheguei na agência já recolhendo informações sobre o problema que teria de resolver e, pela terceira vez esse mês, na hora em que eu ia tentar sair pra ir ao dentista, uma cliente resolve aparecer e pedir ajuda sobre milhagens. Atendi a senhora e saí correndo pra escovar os dentes, disparei para a clínica e dessa vez foi o dentista que atrasou. Quase uma hora. Em jejum, por vinte minutos de boca aberta, ganhei tontura, dor e alguns fios mais no aparelho. E o dia mal começou...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sobre vendas diretas e consultorias

Não é novidade que sou agente de viagens, nem que de vez em sempre quando eu me estresso na profissão. Até então, toda profissão tem aborrecimentos e pressão, além dos desafetos que sempre surgem. Acontece que, diante do aumento das vendas diretas – cliente ->fornecedor – as agências estão cada vez mais sendo vistas apenas como consultoria / SAC. E nessa situação, temos alguns pontos fundamentais que estão contribuindo pra falência da minha profissão. Além das vendas diretas, a busca de agências apenas para esclarecimento de dúvidas e solicitação de documentação e emissão de bilhetes de programas de pontos, serviços gratuitos – ainda que não obrigatórios – vêm tirando o sono e a renda dos agentes. Esse é o motivo da minha reclamação a seguir.

Hoje, todo mundo pode comprar suas viagens direto pela Internet. Muitas vezes, as operadoras, companhias aéreas e o setor hoteleiro oferecem melhores preços pras vendas diretas. Isso porque não precisam pagar a comissão que seria repassada às agências. Enquanto vendedores, os agentes de viagens basicamente vivem disso: nós revendemos os produtos de operadoras e demais empresas do ramo de viagens e turismo. Sobre esse serviço, é paga uma comissão que pode variar de 5 a 20% sobre o valor da venda. Na maioria das vezes, esse repasse é de 10%. Como as vacas andam magras, todos recorrem ao mais barato, e com isso as vendas diretas aumentam e as agências têm queda de receita.

Entretanto, o público em sua maioria não está acostumado com a burocracia de viagens, a política, além de todo o processo de solicitação dos documentos necessários pra se realizar uma viagem. Então, o que eles fazem? Recorrem aos profissionais de viagens e turismo para sanarem suas dúvidas e até para terem auxílio na solicitação e emissão desses documentos. Por exemplo, a solicitação de passaporte pode ser feita direto no site da Polícia Federal, mas muitos nos procuram para que façamos a solicitação, serviço pelo qual, até então, a empresa onde trabalho não cobra. Isso nos toma tempo e gera despesas, como papel, tinta, e às vezes ligações telefônicas. Ainda assim, muitos desses supostos clientes só vêm à agência para fazer a documentação ou tirar dúvidas, e efetuam a compra direto, pela Internet ou nas lojas de franquias das empresas de viagens.

Pra agravar a situação, algumas empresas do ramo hoteleiro e operadoras de viagens oferecem disponibilidade de reservas para os clientes quando, para agências de viagens, essa disponibilidade já está esgotada. Como? Simples. Eles possuem vagas, mas se reservarem o serviço para uma agência de viagens, ganharão menos, pois terão de comissionar a agência. Então, para a agência eles informam que não há disponibilidade, mas se o cliente entrar em contato com essas empresas, há vagas.

No fim das contas, tudo conspira para que os clientes dependam cada vez menos das compras via agência, mas os mesmos não abrem mão da comodidade de buscar um agente para serviços burocráticos e gratuitos. Agentes não são pagos para emitir passaportes, solicitar vistos ou reservar bilhetes de milhagens. Já que se tornam cada vez mais independentes na hora da compra, não seria justo que os então passageiros fizessem o mesmo ao buscarem as informações e a documentação para suas viagens?

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Devaneando sobre propagandas

Enquanto assistia à TV no último domingo, parei pra notar uma propaganda de tênis que mostrava pessoas sem tempo, e incentivava-as a largar o que estavam fazendo pra correr, praticar esportes. Todos eram executivos, empresários super ocupados, uma classe que não é a maioria no nosso país. Em minha mente interrogativa, fiquei pensando nisso, nas várias propagandas voltadas pra um público que não é a massa. Mas é claro que o mundo é capitalista e as empresas têm mais é que fazer divulgação de seus produtos e serviços aos seus consumidores de interesse. No mesmo passo em que o Banco Real faz publicidade mostrando empresários, as Casas Bahia mostram aquele guarda-roupas de seis portas que pode ser parcelado em até doze vezes.

Eu não sou uma telespectadora assídua. Na verdade, eu ligo a TV na hora do jogo do Flamengo, da corrida e do Fantástico, e fico no PC, enquanto ouço a programação e às vezes dou uma olhadinha. Mas eu gosto dos comerciais. E acho que nesse quesito, a propaganda pode ser genial, mas é deveras ilusória. É sempre um conto de fadas, sempre surreal, sempre inalcançável às mãos da maioria.

Em minha breve passagem pela faculdade, tive aulas chatas de publicidade e me lembro que falava-se muito sobre propaganda abusiva, principalmente quanto ao público infantil. Porque uma criança não quer saber se o lanche do Mc Donald's não é saudável, ou se a Barbie que dirige e faz chapinha custa R$ 300,00. Ela quer o produto e pronto. E os pais que se virem pra fazer as vontades dos filhos. Mas a propaganda funciona assim, e quem sou eu pra questionar o consumismo? Logo eu, que não posso ver uma liquidação que já começo a arquitetar o vencimento do cartão de crédito pra poder garantir os meus novos jeans; eu que me importo, sim, se é uma camiseta da Hering ou da Rua Teresa; eu que prefiro a tia Stella a uma Nova Schin. Claro que a marca importa, pra qualquer um. Não só por qualidade. Importa porque nós respiramos os comerciais. E porque é assim que funciona, produtos são ideias, são classificações, são status, e disso o mundo não pode mais fugir.

Propaganda precisa ser feita. Só acho que ela poderia ser mais real, mais simples. Porque não são só os casais felizes que compram com o Visa, nem as famílias sorridentes tomam Coca-Cola. Nem só executivos têm conta em banco, nem só empresários ocupados usam Olympikus na verdade, eles nem usam, devem correr com seus Nike Shox e Mizunos Wave, Creation, Ocaralhoaquatro.

E então eu penso também: a vida já é tão dura, as pessoas já têm tantos problemas, talvez os comerciais deem a elas, ou a nós, um pouco de uma ilusão necessária pra seguir trabalhando e consumindo, movimentando o ciclo que gera trabalho, que endivida, que leva e traz grana, e que entretém a quem rala dez horas diariamente pra pagar as contas do mês.

Essas são algumas das questões que circundam minha mente devaneante, mas não se atenha a elas. They're just Ridiculous Thoughts.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Vésperas

Quando era criança, eu sempre tinha as épocas de espera, as vésperas. Contava os dias que antecediam a Páscoa, meu aniversário, as férias, o Natal...Sou uma curiosa e impaciente nata, vivia tentando descobrir quais seriam meus presentes antes da hora, apertava os pacotes com o meu nome, tentava adivinhar pelo tamanho das caixas, e adorava ganhar os chocolates de Páscoa antes do dia. Fazia o ninho e deixava a cesta rolando pra lá e prá cá pela casa, enquanto eu enchia o saco de todos pra que me enchessem de chocolates.

O tempo passou e deixei de tentar adivinhar os presentes embalados, já não ligo se vou ganhar ovos de chocolate ou apenas bombons, mas continuo curiosa e impaciente. Quero saber de tudo antes, quero minhas surpresas logo. Então a vida achou que eu tenho sido boazinha e me deu um presentão. Só que, de castigo pela minha impaciência, tive que esperar pra vê-lo. E vivi uma véspera de Natal que durou mais que vinte e quatro horas. E como se eu estivesse futucando os presentes embaixo da árvore, eu tentei descobrir como era. Vi fotos, ouvi, até senti o cheiro, mas não podia tocar. Daí chegou meu Natal. E eu pude apertá-lo com as minhas mãos gordinhas, enquanto admirava, com olhos de criança, a beleza do meu presente. Era tudo que eu sempre pedi pro Papai Noel, só que melhor do que eu imaginava que poderia ser.

Agora, todo mês virou véspera de Natal. A vida é uma grande sala de espera, com cadeiras pouco confortáveis e revistas que eu já li até de cabeça pra baixo. Meus dias de inferno astral antecedem mais um aniversário com impaciência, porque eu quero logo a festa, o meu presente de novo. É como seu eu montasse a árvore pra chegar o dia mais rápido, e já sei de cor os enfeites da espera. E então eu conto o tempo que escorre na ampulheta devagarinho, porque nem na infância eu quis tanto que fosse Natal todo dia.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Just Peruas Passing By

Adoro observar gente. E como eu trabalho num prédio considerado "top" na cidade, aqui eu posso ver gente de todos os tipos, principalmente os que têm alguma grana e se acham os descendentes do Império. Não que seja alguma coisa de outro mundo descender dos Orleans & Bragança, mas o efeito que esse nome faz quando um dos membros da família adentra qualquer ambiente na cidade é um negócio até considerável. E eu sempre observo o comportamento das peruas petropolitanas. Da versão masculina das peruas também, mas seria feio eu falar que gosto de observar o comportamento dos perus petropolitanos porque você sabe o sentido pejorativo que o gluglu ali tem, então deixa quieto.

Enquanto meu entupo de saboreio meu Nescau Ball aqui, vejo umas três delas conversando na entrada da galeria, e todas falam, gesticulam e até se vestem do mesmo jeito. As peruas daqui devem ser as mesmas de todos os lugares, mas com a diferença de que elas parecem viver em microcolônias (como se escreve essa palavra agora?), e parecem também ser fabricadas em série. Mesmo ano, mesmo modelo, se bobear, até mesmas cores e itens de série.

Daí toda manhã as peruas petropolitanas malham na mesma academia (aqui na sobreloja), descem com o cabelo impecável de uma escova que suor nenhum abala, com seus suplex e Nike Shox e uns óculos escuros que faça chuva, sol, dia, noite, estão ali e serviriam muito bem de bloqueadores solares considerando o tamanho dos acessórios. Ah, e jóias. Porque elas estão sempre montadas com os penduricalhos de ouro. Meu professor de História chamaria de balangandãs e diria que eram peças usadas pelas escravas e segue aí uma densa explicação acerca dos apetrechos de que não me lembro bulhufas e morre aqui.

Então, as peruas...elas compram nas mesmas lojas, se vestem do mesmo jeito e já vi uma cliente da loja fazer a amiga, que revende roupas importadas, tirar o cardigan e vender pra ela. People = sick. As peruas petropolitanas sempre cheiram a Dolce & Gabbana ou a Carolina Herrera e dirigem um Pajero. Ah, a versão masculina também, exceto pelas jóias e pelo suplex. Só que eles passam aqui pelo corredor de Ray-Ban, cheiram a Azzaro e estão sempre comprando na AD. Ambos se depilam nas mesmas clínicas de estética e fazem bronzeamento artificial, porque branco escritório é para os fracos. E agentes de viagens. Contadores, programadores e designers estão na lista.

Mas é divertido, adoro ver como eles falam de passar as férias com as crianças na Disney ou de ir pro ClubMed no carnaval. Sem contar o jantarzinho que sempre marcam no japonês ou em Itaipava, lugar caro e que não oferece mais que um punhado de pousadas caras para bed and breakfast e alguns restaurantes de cozinheiros renomados que só os petropolitanos conhecem. Mas isso é fruto da minha implicância, eles são legais e alguns fecham pacotes bacanas que me rendem um bilhete Trip pra voar de teco-teco. Outros só me enchem o saco fazendo reservas de milhagens na alta temporada, mas estamos aqui pra isso.

Este texto é um oferecimento da minha falta do que fazer. Rose, pare de falar dos outros e vá trabalhar.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O mal em se morar mal pt II e Loucos pt III

Eu poderia falar do meu atraso diário devido às intervenções Murphyanas. Mas não. Estou aqui, humildemente, reclamando mais uma vez por morar na pqp em um bairro distante e passar perrengue por conta da Cidade das Hortências.

Hoje eu acordei cedo. Ontem também, mas foi por causa do chuveiro queimado que me obrigou a pedir asilo higiênico na casa de minha vó. Mas hoje tinha tudo pra ser um dia normal, em que eu chegaria no horário, cumpriria todas as minhas tarefas e iria pra casa cedo, porque eu sei que tinha de passar em algum lugar antes das dezenove horas, mas de qualquer forma, agora eu já até esqueci o que tinha pra fazer. Acontece que - Murphy, oi? - o ônibus da minha linha foi assaltado. Felizmente eu não estava dentro do carro, o roubo ocorreu antes de o veículo apanhar os passageiros. A empresa de ônibus mandou outro carro pra nos buscar, e nisso já eram mais de oito e meia da manhã. Meu expediente é iniciado às nove. Quando chegamos ao terminal onde se apanha o ônibus pro centro, o dito cujo estava saindo da plataforma e não esperou. Nem preciso dizer que todo mundo esbravejou, já que o corno do fiscal das baias não pediu que o motorista nos aguardasse. O meliante, provido de toda ignorância que se pode haver em um ogro, disse que “fez muito em não nos deixar a pé”, ao que uma das passageiras retrucou que não era nossa culpa, já que foi um assalto e nada tínhamos a ver com isso. O babaca sujeito então respondeu “belo bairro o que a senhora mora, hein?!”. Bicho, que vontade de mandar esse filho da puta infeliz se foder pastar. Isso lá é resposta que se dê? Além do que, não estava fazendo favor nenhum em mandar outro ônibus pra nos buscar no bairro, visto que pagamos pelo serviço.

Vim atrasada, cheguei na agência cuspindo fogo e mandei e-mail pra empresa e pros órgãos “responsáveis” pelo transporte daqui. Sei que não vai dar em porra nenhuma nada, mas ao menos eu satisfiz minha vontade de meter o dedão no Enter e soltar poucas e boas pra eles. Até agora, ninguém me respondeu.

Como o dia está frio, chuvoso, é fim de mês e minha vida é cheia de emoções, meu chefe me interfonou dizendo que uma “moça” viria à minha mesa pra imprimir um currículo. Só pra entendimento, a doida vem deixar o currículo e não traz o documento impresso. Me deu um pendrive com 564656 fotos e o arquivo, pediu pra eu corrigir erros de digitação, alterar telefones, começou a falar que se inscreveu no Big Brother enquanto servia-se de um café sem sequer perguntar nada, me encheu os pacovás e ainda disse que torce pra que sejamos colegas de trabalho. Mal sabe ela que eu estava rezando pra que meu chefe tenha algum espasmo de senso e não se atreva a contratar a maluca.

Depois dessa, só me resta responder pro novo cliente que sim, nós vendemos passagens aéreas, já que no letreiro está escrito “Agência de Viagens” e torcer pra que esse dia de merda acabe antes que outro louco adentre a loja e me faça perder o pouco da paciência que me resta. E eu nem estou na TPM.